Durante uma visita ao Museu Boijmans Van Beuningen, em Roterdã, uma criança danificou uma obra do artista norte-americano Mark Rothko. A pintura Grey, Orange on Maroon, No. 8, avaliada em aproximadamente R$ 321 milhões, sofreu arranhões superficiais. O incidente aconteceu durante um momento de falta de supervisão, segundo comunicado oficial do museu.
Esse episódio reacende discussões importantes sobre segurança em espaços expositivos e os desafios na preservação de obras de arte moderna — especialmente as que não utilizam camadas protetoras de verniz.
Mark Rothko (1903–1970) é um dos nomes mais influentes da arte moderna e do movimento conhecido como expressionismo abstrato. Suas obras, compostas por campos de cor vibrantes e formas etéreas, são construídas para gerar experiências sensoriais profundas no espectador.
A pintura danificada pertence a uma série que explora contrastes emocionais por meio do uso de cores como o marrom, o laranja e o cinza. Sua técnica — com tintas aplicadas em camadas finas e sem proteção de verniz — confere às suas obras uma sensibilidade extrema, o que aumenta o risco de danos mesmo com o menor toque.
Esse não é o primeiro incidente envolvendo obras de Rothko. Em 2012, o quadro Black on Maroon (1958), exposto na Tate Modern, em Londres, foi vandalizado. A restauração da pintura levou 18 meses e custou mais de R$ 1,5 milhão. O responsável foi condenado à prisão, e o caso repercutiu mundialmente.
Esse histórico mostra como obras de arte moderna, apesar de sua aparência minimalista, exigem grande cuidado técnico e atenção constante à conservação.
O acidente no Museu de Roterdã reforça a importância de medidas preventivas em instituições culturais. Acesso livre à arte é fundamental, mas ele deve vir acompanhado de estratégias eficazes de segurança, educação e sinalização.
Casos como esse mostram que, mesmo sem intenção de dano, a proximidade física entre público e obras de alto valor exige vigilância constante, principalmente quando envolvem crianças e grupos escolares.
A arte moderna, como a de Rothko, convida à contemplação, mas impõe limites invisíveis ao toque. É frágil não só em seus materiais, mas também em sua proposta: provocar emoções, não interações físicas.
Preservar esse tipo de arte é preservar também sua potência simbólica — e o incidente serve como alerta sobre a responsabilidade coletiva em espaços culturais. A arte precisa estar ao alcance do público, mas isso não pode significar colocá-la em risco.
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