A arte sempre buscou ultrapassar limites – do material ao conceitual. Mas e quando ela ultrapassa literalmente a atmosfera terrestre? Nas últimas décadas, artistas contemporâneos têm explorado o espaço como palco, suporte e metáfora. De missões lunares a satélites orbitais, a arte também viajou para o cosmos.
Conheça abaixo seis obras e projetos artísticos que desafiaram a gravidade e marcaram presença fora do planeta Terra:
Você sabia que Andy Warhol pode ter deixado uma “assinatura” na Lua?
O Moon Museum é uma minúscula placa de cerâmica (do tamanho de um selo postal) com desenhos de seis artistas: Andy Warhol, Robert Rauschenberg, Claes Oldenburg, David Novros, John Chamberlain e Forrest Myers.
A obra foi supostamente contrabandeada na Apollo 12 por engenheiros cúmplices, mas a NASA nunca confirmou oficialmente sua presença.
Como seria uma cápsula do tempo para civilizações futuras (ou alienígenas)? O artista e geógrafo Trevor Paglen criou The Last Pictures, um disco de ouro com 100 imagens representando a complexidade da vida humana na Terra.
O disco foi anexado ao satélite EchoStar XVI, lançado em órbita geoestacionária. A intenção é que ele permaneça no espaço por bilhões de anos, mesmo após o desaparecimento da humanidade.
Uma arqueologia futura em pleno cosmos.
A icônica artista francesa ORLAN levou seu trabalho de performance para o espaço – ou quase. Em 2017, ela realizou uma performance artística dentro de um avião da Agência Espacial Europeia em voo parabólico (gravidade zero).
Conhecida por transformar seu próprio corpo em obra de arte, ORLAN investigou a identidade, o gênero e a percepção em ambiente de gravidade modificada.
Arte corporal levada às últimas consequências físicas.
Desde 2011, o festival Ars Electronica colabora com a ESA (Agência Espacial Europeia) para aproximar arte e ciência. Vários artistas foram selecionados para desenvolver projetos com dados espaciais, ambientes orbitais e experiências de microgravidade.
Um exemplo é The Wandering Artist, de Nahum, que explora voos suborbitais como metáfora poética e sensorial da existência.
O espaço aqui não é só cenário, mas linguagem.
Embora não seja uma obra de arte tradicional, o lançamento do manequim “Starman” dentro de um Tesla Roadster ao som de “Space Oddity” de David Bowie se tornou um dos ícones pop do século XXI.
A bordo do primeiro voo do Falcon Heavy da SpaceX, o carro vermelho e seu “piloto” artificial seguem em órbita heliocêntrica, em uma jornada solitária pelo Sistema Solar.
Uma homenagem interplanetária à cultura pop e à exploração espacial.
Em 2021, o artista britânico Sacha Jafri enviou uma pequena obra à Lua, como parte da missão lunar da empresa Spacebit, em parceria com a Astrobotic.
Feita em alumínio gravado, a obra foi concebida como símbolo de esperança e permanência artística na superfície lunar – um gesto poético e simbólico da presença humana.
Uma pegada artística deixada literalmente na Lua.
Esses projetos nos mostram que a arte contemporânea não tem apenas olhos para o mundo – ela busca também o universo. Em tempos de turismo espacial, inteligência artificial e colonização lunar, talvez a próxima grande galeria esteja a milhões de quilômetros de distância.
Afinal, quem disse que o espaço é só para astronautas?
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